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Acho que tenho tudo que quero. Quando quero cerveja, bebo cerveja. Quando quero vodka, bebo vodka. Quando quero você, bebo vodka.
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Quero olhar nos seus olhos enquanto escuto seus gemidos.
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Eu lembro. E não importa o quanto senti sua falta ou quanta dor senti, eu nunca apagaria tudo que tivemos. Mesmo me afogando em pesar, eu preferia me ater a cada momento com você, ou cada risada sua, todos fragmentos de felicidade que tivemos. Eu preferia passar cada momento em agonia do que apagar cada memória sua.
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Ei, garçom. Traga-me um copo do seu melhor uísque. Não não, faça melhor! Traga-me toda a garrafa. Não se preocupe, dinheiro não é problema, já não posso dizer o mesmo do amor. - Pegou a garrafa, tirou a rolha lentamente, olhou nos olhos do garçom então continuou: Tá vendo isso aqui? - Levantou a garrafa -. É o seu melhor uísque. -
Em um comportamento anormal, ele estende a mão sobre o balcão e em seguida derrama o uísque lentamente sobre ela -. Com toda frieza do mundo ele prossegue: É assim como eu me sinto. Tenho as melhores coisas do mundo, mas não sou capaz de mantê-las comigo por muito tempo. - Balançando os dedos rapidamente, ele finge estar tentando conter o uísque que escorre rapidamente entre seus dedos -. Por mais que eu tente impedir, isso sempre acontece. Sinto-me um idiota por isso. Nada de bom permanece na minha vida por muito tempo. Tudo é passageiro. Isso engloba tudo. Desde um simples objeto à pessoas. E quando se trata de pessoas, tudo piora. Dizer adeus é sempre um problema. Cada palavra da despedida é um pedaço a menos no seu coração. Não sei se consegue me entender. É tudo muito complexo. Aliás, as pessoas são muito complexas. Ao contrário do que muita gente diz, não é a vida que dificulta tudo, são as pessoas. Elas sempre fodem com tudo. São egoístas, egocêntricas. Não se importam em machucar alguém pra conseguir o que querem. E afinal, se não o amor, o que querem?! As pessoas sempre partem, e o pior, também te partem. Eu já deveria estar acostumado, afinal, sou o rei dos relacionamentos desastrosos. O único que não ia de mal a pior, terminou como todos os outros. Ela ainda me procura, eu vejo dentro dos olhos dela que ela se arrepende, mas não sou capaz de confiar nela mais uma vez. E é por isso que eu a trato mal. Não por todos os seus grandes erros. Não por todas as vezes que ela foi pra cama com outro cara. Ou por todas as vezes que ela partiu meu coração. Eu a trato mal porque fazíamos sexo e não amor. Não era todo aquele lance sentimental, era carne, era amor, era paixão, era desejo, era entrega, era prazer, era qualquer outro adjetivo com um significado bonito. Indo um pouco mais além nessa coisa de descrevê-la, pra ser mais exato, ela é uma ameaça. Ela ameaça qualquer plano meu de seguir em frente. - Deu um riso irônico, virou o resto da garrafa de uísque que ainda permanecia sobre o balcão, então continuou - Ela é como uma música chiclete do carnaval, uma vez que você escuta, ela não sai mais da sua cabeça. Por um bom tempo eu pensei que ela seria aquela mancha horrível de molho de tomate que caiu na minha camisa preferida num almoço de domingo. Sendo sincero, ela até foi. Mas eu sempre fui sem paciência, tempo sempre me faltou, esperar nunca existiu no meu dicionário. A camisa tá manchada? Jogue-a fora. Quer beber? Encha o copo. Quer sair? Divirta-se. Quer pôr um ponto final? Faça se tiver coragem, os fantasmas do passado sempre vão te rodear. Sendo sincero, ex deveria desaparecer com o fim do relacionamento. Simples assim. Não basta o “cada um pro seu lado”. Existem as recaídas, as noites em claro, as fotos no celular, os sms de saudades, e por fim, existe o recomeço do outro. Nada pior do que isso. O recomeço do outro. Não só parece ser egoísmo, de fato é. Quero o choro, quero a infelicidade durante meses, quero que sinta minha falta a cada minuto do dia. Mas sempre vai restar algo. Uma camisa do outro guardada na primeira gaveta da esquerda do guarda-roupa. O jeito de alguém falar vai te lembrar o dela. A música preferida dela vai tocar na rádio e você vai cantar o refrão baixinho, vai rir meio sem graça e quando perceber, vai trocar de canal rapidamente. E assim você vai vivendo, como se a história tivesse terminado no primeiro capítulo, ou melhor, como se o ponto final tivesse sido um erro, e todo dia você vai se perguntar: Porque ter colocado um ponto final se ainda restavam-me as reticências?
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Ser um perdedor estava se tornando algo normal, e aceitava isso. Vivia perdendo objetos, dos mais pequenos aos mais grandes, dos menos usados aos de maior uso. Perdi chances, oportunidades, sonhos e pessoas. Só não esperava que fosse me perder, e é triste saber que ninguém está disposto a me achar.